Dia Nacional do Fotógrafo e da Fotografia (8 de janeiro)

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Próxima Celebração "Dia Nacional do Fotógrafo e da Fotografia": Terça-Feira, 8 de Janeiro de 2019, : daqui 318 dias, 10:36:45-03:00.
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O Dia Nacional do Fotógrafo e da Fotografia em 8 de janeiro de cada ano, é uma comemoração extraoficial no Brasil, que aparece citada em vários calendários brasileiros de datas festivas.

Em que pese eu ainda não tenha encontrado evidências históricas conclusivas sobre o caso, é bem possível que essa data comemorativa extraoficial de brasileiros esteja relacionada com a data de algum fato ligado à chegada oficial do Daguerreótipo em Terras Brasilis, e na então capital federal e atual cidade brasileira do Rio de Janeiro-RJ,, muito embora conste que experiências bem-sucedidas do seu uso já houvessem sido realizadas na cidade brasileira de Salvador-BA, a partir da estada do Daguerreótipo em terras soteropolitanas, entre os dias 13 de dezembro e 17 de dezembro de 1839, ainda que, dessa estadia, não se tenha notícias de nenhuma imagem feita na capital do Estado baiano, talvez perdidas no tempo, segundo a opinião de alguns historiadores, para um então revolucionário processo de fotografia, inventado pelo pesquisador francês, Louis Jacques Mandé Daguerre,], que consistia numa imagem fixada sobre uma placa de cobre com um banho de prata, formando uma superfície espelhada, numa imagem única, fixada diretamente sobre a placa final, e sem o uso de negativo, ou seja, uma técnica que consistia numa imagem positiva reproduzida sobre uma placa polida de metal com prata e sensibilizada com vapores de iodo; onde, após exposição à luz, a imagem era revelada com vapores de mercúrio e fixada com uma solução de sal concentrado, cuja novidade teria sido trazida da cidade francesa de Paris pelo abade e então capelão do navio-escola francês [corveta] franco-belga, "L’Orientale", Louis Compte, que àquele tempo, exercia capelania para estudantes de famílias ricas da Europa, e que teria sido encarregado de propagar o advento da fotografia ao mundo, sendo que, depois de Salvador-BA, também aportou de passagem na cidade brasileira do Rio de Janeiro-RJ, pois jornais da época registram uma experiência de daguerreotipia realizada por esse abade francês no Largo do Paço Imperial na então capital do Brasil Imperial em 17 de janeiro de 1840, apenas 6 meses após o anúncio oficial da revolucionária possibilidade de se capturar imagens pelo uso de um Daguerreótipo, cujo espaço de tempo é bastante curto para a fotografia ser disseminada mundo afora, quando se situa na na 1ª metade do século XIX.

Por exemplo, a edição vespertina do "Jornal do Commercio" de 17 de janeiro de 1840, registrou então em suas páginas: [...] "Finalmente passou o daguerreótipo para cá os mares, e a fotografia que até agora só era conhecida no Rio de Janeiro por teoria". "Hoje de manhã teve lugar na hospedaria Pharoux, um ensaio fotográfico, tanto mais interessante, quanto é a primeira vez que a nova maravilha se apresenta aos olhos dos brasileiros". "É preciso ter visto a coisa com os seus próprios olhos para se fazer ideia da rapidez e do resultado da operação". "Em menos de nove minutos, o chafariz do Largo do Paço, a praça do Peixe, o Mosteiro de São Bento, e todos os outros objetos circunstantes se acharam reproduzidos com tal fidelidade, precisão e minuciosidade, que bem se via que a coisa tinha sido feita pela própria mão da natureza, e quase sem intervenção do artista". [...]

Esse grande acontecimento histórico deixou então, encantado e estupefato com o resultado da demonstração, juntamente com todos os presentes, um jovem de 14 anos. Era o herdeiro do trono e futuro Imperador do Brasil, Dom Pedro II, que, pouco depois, encomendou um aparelho de daguerreotipia, chegado poucos meses depois ao Brasil, e tornou-se o 1º fotógrafo amador brasileiro, tendo aprendido a a fotografar com o professor norte-americano, Augusto Morand, e cumprindo então, um papel importante no incentivo e divulgação da fotografia no Brasil. Talvez daí, é que se tenha dado tanta importância a essa passagem da engenhoca em Terras Brasileiras, pois a demonstração da fotografia ocorrida em janeiro de 1840 e o daguerreótipo de Dom Pedro II, também dessa ´época, ainda sobrevivem aos nossos dias, visto que os jornais trataram de eternizar o acontecimento e o histórico daguerreótipo do Imperador ainda pertence à família Imperial, ramo Petrópolis.

Para se ter uma ideia do pioneirismo de Dom Pedro, inicialmente, algumas questões como o alto custo dos materiais usados no processo, as limitações da técnica, especialmente em relação à luz, que tinha de ser abundante, daí as fotografias serem preferencialmente tomadas entre as 10 e as 15 horas, e o peso do equipamento, contribuíram para que apenas um pequeno grupo abastado, interessado pela novidade, ou entidades cientificas dotadas de recursos tivessem acesso à inovação. Por exemplo, consta que, no 1º ano de sua comercialização [1839], foram vendidos apenas 30 exemplares do equipamento, que então, custava 400 francos-ouro, pesava cerca de 50 quilos e trazia junto um manual de uso nos principais idiomas de então.

Esse impulso, somado a uma série de iniciativas pioneiras do Imperador, como a criação do título "Photographo da Casa Imperial" a partir de 1851, atribuído a 23 profissionais, (17 no Brasil e 6 no exterior), coloca a produção fotográfica do século XIX no Brasil, como a mais importante da América Latina, qualitativa e quantitativamente falando; e o fotógrafo franco-brasileiro, Marc Ferrez, que recebeu o título de "Photographo da Marinha Imperial", talvez seja o exemplo mais emblemático dessa produção, já que seu trabalho tem hoje reconhecimento internacional frente à produção do século XIX.

Apenas em 1946, é que foi publicada a 1ª grande sistematização da fotografia brasileira, no Nº 10 da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, pela iniciativa do historiador brasileiro e neto e herdeiro do fotógrafo Marc Ferrez, Gilberto Ferrez, através do ensaio "A Fotografia no Brasil e um de seus mais dedicados servidores: Marc Ferrez", ocupava as páginas 169-304 e já trazia boas fotografias da sua coleção, buscando mapear o movimento da fotografia no período estudado.

30 anos mais tarde, o fotógrafo, pesquisador, historiador e professor brasileiro, Boris Kossoy, mostrou ao mundo que o inventor francês, Antoine Hercule Romuald Florence, isoladamente na atual cidade de Campinas-SP, descobriu em 1832, os processos de registro da imagem fotográfica. E mais, que ele também escreveu a palavra photographia para denominar o processo. As pesquisas do professor Kossoy, desenvolvidas a partir de 1973, e comprovadas nos laboratórios de Rochester, nos Estados Unidos da América, ganharam as páginas das principais revistas de arte e fotografia do mundo, entre elas, a "Art Forum" de fevereiro de 1976 e a Popular "Photography" de novembro de 1976. No mesmo ano, foi publicada a 1ª edição do livro "Hercules Florence 1833: a descoberta isolada da fotografia no Brasil", que já chegou à 3ª edição, ampliada pela EDUSP [Editora da Universidade de São Paulo].
A tese demonstrou que esse fato isolado provocou uma reviravolta, e fez surgir uma nova interpretação da história da fotografia, que tem agora seu início não mais em Nièpce e Daguerre, mas é entendida como uma série de iniciativas de pesquisa que foram desenvolvidas quase simultaneamente, gestando o advento da fotografia. Uma nova história da fotografia relaciona os nomes dos pioneiros sem hierarquizá-los ou priorizá-los, do ponto de vista da descoberta.

Nesses últimos anos, diversos livros foram publicados sobre a produção fotográfica brasileira desenvolvida no século XIX e 1ª metade do século XX, enriquecendo a iconografia conhecida, e agregando alguns dados novos sobre a biografia dos fotógrafos de então e suas trajetórias profissionais. Além disso, o interesse despertado em jovens pesquisadores, de todo o Brasil, evidencia a urgência de sistematizar informações, divulgar acervos e coleções, e estabelecer parâmetros de análise e crítica sobre a produção e preservação fotográfica brasileira. Dezenas de dissertações de Mestrado e teses de Doutorado foram apresentadas nos últimos anos, algumas delas já publicadas, demonstrando que se faz necessário encorpar, relacionar e preservar a fotografia brasileira, bem como discutir a produção contemporânea no Brasil, com o intuito de produzir um corpus mínimo, capaz de facilitar a compreensão sobre a fotografia, enquanto fato cultural da maior importância para a identidade e memória de um povo.

Fontes consultadas:

  1. educamais.com/…
  2. acervo.estadao.com.br/…
  3. noamazonaseassim.com.br/…
  4. www.repositorio.ufba.br/…
  5. www.iconica.com.br/…
  6. perspectivahistorica.com.br/…
  7. www.fotografosnojapao.com/…
  8. blogdabn.wordpress.com/…
  9. www.revistamuseu.com.br/…
  10. www.taringa.net/…

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