Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas (7 de fevereiro)

Licença Creative Commons, para reproduzir tem que citar fonte com link. URL curta: http://datas.blog/3671

Próxima Celebração "Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas": Quarta-Feira, 7 de Fevereiro de 2018, : daqui 108 dias, 10:27:34-02:00.
Tempo médio de leitura para essa data comemorativa: ± 4 minutos.

O Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas em 7 de fevereiro de cada ano, é uma comemoração no Brasil, que foi instituída pela Lei Nº 11.696 de 12 de junho de 2008, e que conta também com o "Dia Estadual da Consciência Indígena" no Estado brasileiro do Rio Grande do Sul, esta última, com o fim de destacar a passagem dos 400 anos do início das Missões Jesuíticas a partir de 1609.

Essa data comemorativa de brasileiros tem por fim, marcar a data do aniversário do falecimento do índio guarani-brasileiro e líder da resistência dos "Sete Povos das Missões", Sepé Tiaraju, que foi morto pelo governador de Montevidéu no Uruguai, José Joaquim Viana, enquanto seu povo indígena lutava contra os espanhóis e os portugueses, devido à não concordância com o "Tratado de Madri".

Para conhecimento, muito do que se sabe sobre Sepé Tiaraju, veio de índios centenários do Sul do Brasil, que preservam sua história de maneira oral, passando-a de geração para geração. Supõem-se que Sepé Tiaraju nasceu em uma aldeia indígena que, supostamente, teria sido atacada por forças espanholas, quando ele tinha dois anos de idade, o que o deixou órfão. Os índios guaranis descobriram o menino no local e o levaram para uma aldeia perto de Sete Povos das Missões, onde Sepé foi adotado por um casal. Segundo o pesquisador indígena do Sul do Brasil, Leonardo Werá Tupã, não é possível precisar a tribo de Sepé. Ou seja, apesar de ele ter se tornado líder dos guaranis, Sepé era de outra etnia: "Ele foi adotado pelos guaranis e criado como um dos nossos".

Seu avô adotivo era um pajé muito poderoso e adorado. Quando Sepé começou a crescer, foi preparado para ser um pajé, mas acabou se tornando um guerreiro, devido à sensação de revolta que tinha em relação aos homens brancos, por eles terem dizimado sua aldeia. Sepé não foi criado pelos jesuítas, mas frequentava as missões, onde aprendeu a falar espanhol. Sepé era habituado ao convívio com os homens brancos, ao contrário dos demais guerreiros guaranis. Prezava pelo convívio pacífico entre índios e brancos, uma vez que se preocupava com a jornada espiritual na qual seu avô deveria embarcar. Werá Tupã duvida que Sepé tenha se convertido ao cristianismo, uma vez que era comum os índios aceitarem ser batizados para não desagradarem aos missionários jesuítas pois, ainda hoje, os guaranis utilizam essa estratégia com missionários cristãos. Ainda segundo Leonardo Werá Tupã, Sepé foi treinado pelo grande exército guarani, os "kereymba", muito embora outras fontes indiquem que ele teria sido alferes do exército espanhol.

De acordo com registros históricos, o "Tratado de Madri" foi um acordo assinado entre Portugal e Espanha, pelo qual, Portugal se comprometia em ceder à Espanha, a Colônia do Sacramento, que havia sido fundada pelos portugueses, e onde hoje é o Uruguai, em troca da região dos Sete Povos das Missões, que então já contava com um gigantesco rebanho de gado, o maior das Américas, mantido pelos indígenas, fazendo com que os povos indígenas do lugar, então um grupo composto por cerca de 30 a 50 mil pessoas, tivesse de abandonar o local e seguir para a região controlada pela Espanha. Contrariando as ordens da Companhia de Jesus, os indígenas não aceitaram o tratado e pegaram em armas para defender suas terras, dando início à uma luta que ficou conhecida pela história como "Guerra Guaranítica", o que fez com que espanhóis e portugueses lutassem lado a lado para expulsar os indígenas das Missões.

Assim, Sepé liderou os guaranis contra as forças espanholas "Guerra Guaranítica", que durou de 1753 a 1756. Letrado e treinado para o combate, ele exercia grande influência sobre seus comandados. Durante as batalhas, Sepé Tiaraju criou táticas militares inovadoras para sua época, priorizando a guerrilha e evitando grande batalhas. Além disso, idealizou e construiu 4 peças de artilharia, confeccionadas com cana brava, fazendo com que os guaranis conseguissem muitas vitórias. Porém, no final de 1755, os povos indígenas das Missões sofreram duas derrotas bastante significativas, até que, em 7 de fevereiro de 1756, após uma série de derrotas, cerca de 1.500 guaranis foram dizimados na "Batalha de Caiboaté", na entrada da atual cidade brasileira de São Gabriel-RS, quando Sepé Tiaraju morreu no combate, provavelmente numa emboscada. A partir desse momento, história e lenda se confundem no imaginário popular dos gaúchos sul-rio-grandenses. Daí que Sepé Tiaraju virou um herói popular no Rio Grande do Sul. Como o corpo do bravo guerreiro indígena não foi encontrado no campo de batalha, por exemplo, espalhou-se a crença de que ele subira aos céus, e surgiu, assim, a veneração a São Sepé, um santo não reconhecido pela Igreja Católica Apostólica Romana, que inclusive dá nome ao município brasileiro de São Sepé-RS, e que está presente no calendário de santos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. É também atribuída a ele, por exemplo, a exclamação épica: "Esta terra tem dono!". Sua memória ficou registrada na literatura no poema épico "O Uraguay", criado em 1769 pelo poeta luso-brasileiro, Basílio da Gama, e no romance "O Tempo e o Vento" do escritor brasileiro, Érico Veríssimo.
Em comemoração aos 250 anos da morte de Sepé Tiaraju, se promulgou no Brasil a Lei Nº 12.032 de 21 de setembro de 2009, pela qual se determinou que fosse inscrito no "Livro dos Heróis da Pátria" brasileira, que se encontra no "Panteão da Liberdade e da Democracia", o nome de José Tiaraju, o Sepé Tiaraju, herói guarani missioneiro rio-grandense.

Fontes consultadas:

  1. www.planalto.gov.br/…
  2. www.al.rs.gov.br/…
  3. pt.wikipedia.org/…
  4. www.planalto.gov.br/…

Para dúvidas, críticas, sugestões, reclamações, convites e outros assuntos, por favor, Entre em contato

Licença Creative Commons, para reproduzir tem que citar fonte com link. URL curta: http://datas.blog/3671

RSS/XML