Dia Municipal da Consciência Negra (19 de janeiro)

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Próxima Celebração "Dia Municipal da Consciência Negra": Sábado, 19 de Janeiro de 2019, : daqui 332 dias, 19:08:22-03:00.
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O Dia Municipal da Consciência Negra em 19 de janeiro de cada ano, é uma comemoração na cidade brasileira de Aracaju-SE, que foi estabelecida pela Lei Nº 1.858 de 14 de julho de 1992, através da qual também se reconheceu JOÃO MULUNGU como "Herói Negro", por sua participação e importância na luta contra a escravidão, com base no "Dia Municipal de Consciência Negra Laranjeirense" da cidade brasileira de Laranjeiras-SE [Lei Nº 407 de 8 de Agosto de 1990], que também deu origem ao "Dia Estadual de Luta da Consciência Negra" no Estado brasileiro de Sergipe.

Essa data comemorativa de sergipanos tem por fim, marcar a data da captura do negro e incansável lutador pela liberdade dos escravos brasileiros, João Mulungu, que teria se dado às 12 horas de 19 ou 13 de janeiro de 1876, após a traição de um dos escravos da Flor da Roda e depois de ele ter passado a ser conhecido como o "Zumbi sergipano", e que uma vez capturado, foi executado por enforcamento em praça pública na localidade de Santo Antônio de Aracaju-SE ,com apenas 25 anos de idade, por preferir o patíbulo a voltar a casa do seu Senhor, e Sua cabeça também foi exposta em praça pública, com o fim de desmentir a crença da população sobre sua imortalidade, sendo que ele tem sido amplamente citado por historiadores brasileiros como um dos mais importantes defensores da causa negra em luta contra a escravidão no Brasil.

A partir da recuperação da memória negra sergipana, encetada desde 1980 pelo GRFACACA [Grupo Regional de Folclore e Arte Cênica Amadorista Castro Alves], através do seu Órgão de Documentação e Pesquisa, ISPCPN [Instituto Sergipano de Pesquisa da Cultura Popular Negra], João Mulungu, Nascido presumivelmente em 1851, numa senzala da cidade brasileira de Laranjeiras-SE na zona da Cotinguiba, a 19 quilômetros da capital sergipana, enquanto escravo do dono do engenho Flor da Roda, João Pinheiro de Fraga, depois de haver presenciado a morte de sua mãe a chicotadas, se revoltou e, como um legítimo guerreiro, deu início a sua luta pela libertação dos escravos. É considerado a maior liderança dos quilombos sergipanos. Formou quilombos predatórios, colaborou com as fugas de milhares de negros, fortaleceu o contingente de negros em Sergipe, e teve sua trajetória contestada pelas autoridades que desejavam tê-lo como troféu. Escravo com profissão de pedreiro, Mulungu viajava por toda a província. Nos anos de 1860, tornou-se conhecido por interagir com grupos revolucionários do município onde nasceu. A região foi considerada berço do pensamento progressista, onde se difundiram pensamentos humanistas e ações libertárias dos negros do estado. A divulgação de sua morte teve como objetivo demonstrar a extinção dos quilombos de Sergipe, porém alcançou efeito inverso ao esperado pela Coroa: com a morte do herói houve o recrudescimento do movimento pela liberdade.

Apesar de toda essa fama que João Mulungu granjeia atualmente, uma pesquisa realizada em arquivos públicos e do poder judiciário pela professora do departamento de história da Universidade Federal de Sergipe, Maria Nelly Santos, mostra Mulungu como um “fujão” e “saqueador”, que deu muito trabalho aos “donos de escravos”, mas não confirma que ele tenha executado a tarefa heróica de libertador que hoje lhe é atribuída. Segundo a professora, criou-se uma série de fantasias em torno dele, pois a participação de Mulungu em saques e as suas fugas lhe rederam muita fama, mas “o seu papel histórico no período da escravidão não pode e não deve ser negado”.

De acordo com esse trabalho de Nelly Santos, João Mulungu, nasceu no município brasileiro de Itabaiana-SE, e não em Laranjeiras, como em princípio foi muito divulgado, tendo conseguido fazer fama quando, entre 17 e 22 anos, deixou a companhia da mãe, Maria, então escrava do proprietário do engenho Quindonga, José Inácio do Prado, e iniciou um processo de andanças que, em sua 1ª fase, terminou em Laranjeiras. Lá, ele passou a ser escravo do então dono do engenho Mulungu, João de Pinheiro Mendonça, onde passou a sofrer torturas e espancamentos, que motivariam anos depois, as duas primeiras fugas. Segundo a a professora, "ele fugiu, não pensando em se tornar um homem livre e trabalhar para libertar os demais negros, mas sim para buscar um novo senhor".

Recapturado nas primeiras aventuras, Mulungu foi novamente levado ao engenho de Mendonça e sofreu as conseqüências do seu ato. Revoltado, fugiu pela 3ª vez em 1868 e, por 8 anos, ficou promovendo andanças e saques, até ser preso em 1876 no engenho Flor da Roda, em Laranjeiras pelo então policial brasileiro, capitão João Batista da Rocha Banha, o "João Banha", que, conforme as fontes pesquisadas, tratou-o como um bandido. Antes de sua prisão, Mulungu teria praticado delitos nos municípios de Itabaiana, Capela, Divina Pastora, Japaratuba, Laranjeiras, Rosário do Catete e Aracaju. Em alguns, chegou a ser submetido a julgamento e foi condenado por homicídios, espancamentos, saques, etc. A justiça de então o classificava como "um elemento perigoso". "Alguns pesquisadores dizem que, no presídio, o “herói” negro teria resolvido se enforcar para não ter que retornar a condição de escravo, ou, na versão de outros, para evitar a pena de morte, mas não há informações sobre esse fato". "Na época de sua morte, Mulungu era moço, tinha pouco mais de 30 anos, e nenhum documento da o indicativo do enforcamento por quaisquer dos motivos já revelado", de acordo com relatos da pesquisadora.

Fontes consultadas:

  1. www.al.se.gov.br/…
  2. www.palmares.gov.br/…
  3. mororialjmulungu.blogspot.com.br/…

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