Dia Mundial pelo Não uso de Agrotóxicos ou "World NO Pesticides Day" (3 de dezembro)

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Próxima Celebração "Dia Mundial pelo Não uso de Agrotóxicos" ou "World NO Pesticides Day": Domingo, 3 de Dezembro de 2017, : daqui 40 dias, 14:33:51-02:00.
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O Dia Mundial pelo Não uso de Agrotóxicos ou "World NO Pesticides Day" em 3 de dezembro de cada ano, é uma comemoração internacional, que foi instituída num encontro da PAN [Rede de Ação em praguicidas ou "Pesticide Action Network"[, realizado entre 29 de novembro e 30 de novembro de 1998 no Senegal, uma rede global fundada em 1982, como resposta à natureza fundamentalmente internacional do problema de pesticidas, que atualmente liga mais de 600 grupos, instituições e indivíduos em mais de 90 países, porque pesticidas não respeitam fronteiras nacionais, e toneladas de produtos químicos agrícolas cruzam fronteiras internacionais a cada ano, quer através do mercado internacional, quer levadas pelas correntes de vento e de água, e que está oficializada no Estado brasileiro de São Paulo como "Dia Estadual de Combate à Intoxicação por Agrotóxicos".

Essa data comemorativa internacional, oficializada no Estado brasileiro de São Paulo, tem por fim, lembrar a data da morte imediata de milhares de pessoas, e ferimentos e prejuízos de saúde a longo prazo para mais de 500 mil indivíduos afetados, ocorrida em consequência do "desastre de Bhopal" ou "Bhopal disaster" [também conhecido como "tragédia do gás de Bhopal" ou "Bhopal gas tragedy"], que se deu na noite de 3 de dezembro de 1984 na cidade indiana de Bhopal, por negligência da empresa ou talvez até, pela sabotagem de algum funcionário descontente, ou mesmo por uma cominação desses 2 graves fatos, visto que a planta de produção já sofria com falta de pessoal técnico especializado, corrosão de materiais e equipamentos, e mitigação e inutilização das medidas de segurança; e que foi causada pelo vazamento de até 42 toneladas do gás MIC [isocianato de metila], e outros produtos químicos, pois Além de MIC, a nuvem de gás pode ter contido fosgênio, clorofórmio, cloreto de hidrogênio, óxidos de azoto, mono metilamina e dióxido de carbono, quer produzido no tanque de armazenamento Nº 610, quer por reação posterior na atmosfera, que foram liberados de uma fábrica da indústria indiana, UCIL [Union Carbide India Limited], enquanto propriedade majoritária da indústria norte-americana, UCC [Union Carbide Corporation], e minoritária, de investidores indianos, incluindo o Governo da Índia e bancos controlados pelo governo indiano, cujo acidente é tido como o maior desastre químico da história conhecida da humanidade, pois as substâncias tóxicas fizeram seu caminho para dentro e ao redor das favelas localizadas perto da fábrica, fazendo com que o sistema de cuidados de saúde local imediatamente ficasse sobrecarregado, visto que então, quase 70% dos médicos das áreas afetadas eram pouco qualificados, a equipe médica não estava preparada para as milhares de vítimas, e médicos e hospitais não tinham conhecimento de métodos de tratamento adequado para a inalação de gás MIC.

Depois do acidente de Bhopal, endureceram as regras de segurança química e ambiental de muitos países. Por exemplo, a legislação sobre o direito à informação e a indústria química desencadeou códigos de prática como o "Cuidado Responsável" ou "Responsible Care" nos Estados Unidos da América. De acordo com o discurso do então vice-presidente global de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Excelência Operacional para a LyondellBasell [uma das maiores empresas do mundo em plásticos, produtos químicos e refinamento], Samuel Smolik: "a horrível tragédia de Bhopal, ocorrida em 1984, serviu para acordar toda a indústria." Mas as reformas não foram tão longe como deveriam, e beneficiaram pouco às pessoas mais afetadas pelo desastre, cujo pedido de compensação adequada e uma limpeza do local ainda está sendo ignorado.

Estima-se que, no 3º dia do desastre, cerca de 8.000 pessoas foram mortas por exposição direta aos gases. Infelizmente, a noite do desastre foi apenas o início de uma tragédia que ainda não terminou. A multinacional Union Carbide abandonou a instalação, deixando para trás grandes quantidades de substâncias perigosas e às pessoas de Bhopal, uma fonte de água contaminada e um legado tóxico que ainda causa danos.
Os gases queimaram os olhos e as vias respiratórias de pessoas, entraram em sua corrente sanguínea e danificaram quase todos os sistemas do corpo. Muitos morreram em suas camas, outros fora de suas casas, cegos e asfixiados, morreram nas ruas. Muitos outros morreram depois de chegar a um hospital ou centro de emergência. Os efeitos imediatos da inalação foram vômito e irritação dos olhos, nariz e garganta, e muitas das mortes foram devido à insuficiência respiratória. Em alguns casos, os gases tóxicos causaram o enchimento de fluido aos pulmões; em outros, o afogamento foi causado por uma obstrução brônquica. Muitos dos que sobreviveram no 1º dia, tiveram danos às funções respiratórias. Estudos posteriores de sobreviventes também encontraram problemas neurológicos, incluindo dores de cabeça, problemas de equilíbrio, depressão, fadiga, irritabilidade e danos ao músculo-esquelético, reprodutivo e imunológico.

Para conhecimento, o isocianato de metila é um produto químico que, enquanto líquido, é incolor, volátil, com um forte odor que causa lágrimas, e que em sua forma gasosa também é bastante tóxico, utilizado também para se fazer espumas de poliuretano e plásticos, e na síntese de produtos inseticidas, comercialmente conhecidos como Sevin e Temik, da família dos carbamatos, que são usados como substitutos de praguicidas organoclorados, entre eles, o DDT. O gás MIC é considerado como a 1ª arma química usada em uma guerra mundial, sendo que, em condições normais, o isocianato de metila é líquido à temperatura de 0 °C, com pressão de 2,4 bar.

Quem aspirar o isocianato de metila em forma de gás é submetido a uma morte lenta e aterrorizante. Como o veneno reage ao entrar em contato com a água, o ataque químico toma-se mais duro na exata medida em que o organismo secreta líquidos para se proteger da agressão. Nos olhos, por exemplo, assim que o lacrimejar fica mais intenso a córnea é atacada com tamanha ferocidade que chega a perder a transparência, tomando-se opaca e ocasionando a cegueira, só reversível mediante transplantes. O mesmo efeito pode ser sentido na boca, no nariz e nos pulmões.
Dentro do corpo, o isocianato de metila segue seu curso de destruição. Ao penetrar nos pulmões faz entupir os alvéolos, impedindo a passagem do oxigênio para a corrente sanguínea. As vítimas de Bhopal, assim, morreram com a sensação de que estavam se afogando. De nada adianta dar oxigênio extra à vítima, pois os alvéolos mantêm-se bloqueados. O isocianato tem a capacidade de dissolver algumas enzimas do organismo, principalmente a colinesterase, substância importante no processo de contração muscular. Sem essa substância, ocorrem convulsões involuntárias, torpor, confusão mental e a vítima entra em coma. Sabe-se que, a longo prazo, o composto tóxico está associado ao surgimento da agranulocitose, que diminui a capacidade da pessoa de enfrentar infecções.
A partir do "desastre de Bhopal", sabe-se que os efeitos a longo prazo na saúde, estudados e relatados, são:

  • Olhos: conjuntivite crônica, cicatrizes na córnea, opacidade da córnea, início de catarata.
  • Vias respiratórias: doença obstrutiva e/ou restritiva, fibrose pulmonar, agravamento da TB [Tuberculose] e bronquite crônica.
  • Sistema neurológico: perturbações da memória, habilidades motoras finas, dormência etc...
  • Problemas psicológicos: PTSD [distúrbios de estresse pós-traumático ou "post traumatic stress disorder"].
  • saúde das crianças: aumento nas taxas de mortalidade perinatal e neonatal,. baixo crescimento, perdas intelectuais, etc...

Falta ou campos insuficientes para a investigação são: Reprodução feminina, aberrações cromossômicas, câncer, deficiência imunológica, sequelas neurológicas, estresse pós-traumático; e para as crianças nascidas após o desastre, casos tardios, que nunca puderam ser destacados são: insuficiência respiratória, insuficiência cardíaca (cor pulmonale), câncer e tuberculose.

Os problemas da tragédia do gás de Bhopal servem para chamar a atenção global para um problema que afeta hoje praticamente todas as partes do mundo, pois, conforme informações do Projeto de Lei Nº 845 de 2 de setembro de 2011 da Assembleia Legislativa de São Paulo, dados recentes da OMS [Organização Mundial da Saúde] ou WHO [World Health Organization] mostram que, no mundo, cerca de 3 milhões de pessoas são contaminadas por agrotóxicos anualmente, das quais chegam a falecer, em média, 20 mil. A mesma OMS diz, ainda, que a maior parte dessas contaminações ocorre em países em desenvolvimento como o Brasil.

Por exemplo, o Censo Agropecuário de 2006 no Brasil, registrou 25.008 casos de intoxicação por agrotóxicos, quantidade quase 300% maior do que a apontada oficialmente. Ainda em 2006, o Sinitox [Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas] da Fiocruz [Fundação Oswaldo Cruz] identificou, no país, 6.297 casos desse tipo de intoxicação, dos quais 190 resultaram em óbito, e 3.813 em 2009, dos quais 115 redundaram em falecimento.

Para piorar ainda mais a coisa, a FAO [Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação ou "Food and Agriculture Organization"] afirma que, meio milhão de toneladas de pesticidas obsoletos estão espalhados por todo o mundo em desenvolvimento. Estes produtos químicos tóxicos, muitas vezes armazenados ao ar livre em recipientes com vazamento, estão se infiltrando no solo e na água.
Por isso, eliminar essas fontes perigosas de contaminação é uma prioridade de desenvolvimento, pois as comunidades rurais não podem esperar para se desenvolver se o solo e a água estão contaminados com pesticidas, e o povo não pode esperar para prosperar, se as pessoas estão sofrendo de doenças graves causadas por envenenamento por pesticidas. Daí, o Programa da FAO para a Prevenção e eliminação de pesticidas obsoletos ou "FAO's Programme on the Prevention and Disposal of Obsolete Pesticides" está trabalhando para informar o mundo sobre os perigos de estoques de pesticidas obsoletos.

Por exemplo, segundo uma estimativa feita em 2005 pela ONU [Organização das Nações Unidas], os estoques de agrotóxicos obsoletos da América Latina, que inicialmente eram calculados em cerca de 10 mil toneladas de pesticidas, na verdade, eram então pelo menos 3 vezes maiores que o que se estimava, possivelmente variando entre 30 mil e 50 mil toneladas", o que representa um desafio para os países em desenvolvimento, já que sua eliminação é cara. Pesticidas que costumavam ser usados na agricultura, mas foram proibidos por ser perigosos, normalmente são abandonados em países mais pobres.
Essas substâncias químicas, muitas vezes abandonadas em velhos armazéns ou perigosamente enterradas, representam uma ameaça aos moradores locais e podem prejudicar o meio ambiente, havendo até a possibilidade de se espalhar pelo mundo, sendo que grandes estoques de pesticidas já foram encontrados na Colômbia, no Paraguai e na Bolívia.

A FAO disse que seriam necessários cerca de 100 milhões de dólares -- em verbas públicas ou doadas -- para eliminar o lixo tóxico, mas reconheceu que é difícil arrecadar fundos para uma operação que não tem nenhum retorno financeiro evidente, visto que, queimar substâncias químicas velhas não é muito atraente".

Fontes consultadas:

  1. www.al.sp.gov.br/…
  2. www.al.sp.gov.br/…
  3. www.fao.org/…
  4. www.panna.org/…
  5. pt.wikipedia.org/…
  6. www.troposfera-brasil.org/…
  7. en.wikipedia.org/…

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