Dia Estadual do Combate à Violência no Campo (12 de fevereiro)

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Próxima Celebração "Dia Estadual do Combate à Violência no Campo": Segunda-Feira, 12 de Fevereiro de 2018, : daqui 117 dias, 05:08:12-02:00.
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O Dia Estadual do Combate à Violência no Campo em 12 de fevereiro de cada ano, é uma comemoração no Estado brasileiro do Pará, que foi criada pela Lei Nº 7.605 de 27 de março de 2012.

De acordo com a Lei supracitada do Estado do Pará, na semana que contiver esse Dia celebrativo, o Estado fica autorizado a desenvolver campanhas para combater a incidência de mortes envolvendo questões agrárias e pela promoção da paz no campo.

Essa data comemorativa do Estado do Pará tem por fim, marcar a data do aniversário da morte da freira estadunidense naturalizada brasileira da Congregação das Irmãs de Notre Dame de Namur, Dorothy Mae Stang, mais conhecida como Irmã Dorothy, que foi assassinada com 6 tiros, um na cabeça e 5 ao redor do corpo, uma estrada de terra de difícil acesso, a cerca de 53 quilômetros da sede do município brasileiro de Anapu-PA no sudoeste do Estado brasileiro do Pará, às sete horas e trinta minutos da manhã do dia 12 de fevereiro de 2005, aos 73 anos de idade, enquanto ativista pelo desenvolvimento autossustentável, em luta pela destinação de áreas públicas de floresta em projetos de assentamento extrativistas para agricultores familiares da região, numa terra rica em espécies vegetais e muito disputada por madeireiros que, através de grilagem, pretendiam se apossar do local e expulsar os agricultores que viviam ali.

Para conhecimento, Irmã Dorothy Stang nasceu na localidade estadunidense de Dayton, em 7 de junho de 1931 e ingressou na vida casa religiosa em 1950, tendo feito seus votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência em 1956, pela Congregação das Irmãs de Notre Dame de Namur, uma congregação católica internacional, que reúne mais de duas mil mulheres para a realização de trabalho pastoral nos 5 continentes. De 1951 a 1966, foi professora em escolas da congregação: St. Victor School na cidade norte-americana de Calumet City-IL, St. Alexander School na cidade estadunidense de Villa Park-IL e Most Holy Trinity School na cidade norte-americana de Phoenix-AZ. Em 1964, graduou-se na Universidade Notre Dame de Namur, na localidade estadunidense de Belmont-CA. Em 1966 iniciou seu ministério no Brasil, na cidade de brasileira de Coroatá-MA.

A Irmã Dorothy estava presente na Amazônia desde a década de 1970, junto aos trabalhadores rurais da Região do Xingu. Sua atividade pastoral e missionária buscava a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento em áreas degradadas, junto aos trabalhadores rurais da área da rodovia Transamazônica. Seu trabalho focava-se também na minimização dos conflitos fundiários na região. Ela atuou ativamente nos movimentos sociais no Pará. A sua participação em projetos de desenvolvimento sustentável ultrapassou as fronteiras da pequena Vila de Sucupira no município de Anapu no Estado do Pará, a cerca de 500 quilômetros da cidade brasileira de Belém do Pará-PA, a capital do Estado, ganhando reconhecimento nacional e internacional.

A religiosa participava da CPT [Comissão Pastoral da Terra] da CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil], desde a sua fundação, e teve a oportunidade de acompanhar com determinação e solidariedade a vida e a luta dos trabalhadores do campo, sobretudo na região da Transamazônica, no Pará. Defensora de uma reforma agrária justa e consequente, Irmã Dorothy mantinha intensa agenda de diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, na busca de soluções duradouras para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra na Região Amazônica. Dentre suas inúmeras iniciativas em favor dos mais empobrecidos, Irmã Dorothy ajudou a fundar a Escola Brasil Grande, a 1ª escola de formação de professores na rodovia Transamazônica, que corta ao meio a pequena Anapu.

Durante seu ativismo, Irmã Dorothy recebeu diversas ameaças de morte, sem se deixar intimidar. Pouco antes de ser assassinada, declarou: "Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta". "Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar". Ainda em 2004, por sua luta em defesa dos direitos humanos, recebeu premiação da Ordem dos Advogados do Brasil (secção Pará). Em 2005, foi homenageada pelo documentário livro-DVD "Amazônia Revelada". Segundo uma testemunha, antes de receber os disparos que lhe ceifaram a vida, ao ser indagada se estava armada, Irmã Dorothy afirmou: "eis a minha arma!" e mostrou a Bíblia. Leu ainda alguns versículos das bem aventuranças para aquele que, logo em seguida, lhe balearia mortalmente.

No cenário dos conflitos agrários no Brasil, seu nome associa-se aos de tantos outros homens, mulheres e crianças que morreram e ainda morrem sem ter seus direitos respeitados. O corpo da missionária está enterrado em Anapu, Pará, Brasil, onde recebeu e recebe as homenagens de inúmeras pessoas, que nela reconhecem as virtudes heroicas da matrona cristã. O fazendeiro brasileiro, Vitalmiro Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do crime, havia sido condenado num 1º julgamento a 30 anos de prisão. Num 2º julgamento, contudo, foi absolvido. Após um 3º julgamento, foi novamente condenado pelo júri popular a 30 anos de prisão.

Fontes consultadas:

  1. bancodeleis.alepa.pa.gov.br/…
  2. pt.wikipedia.org/…

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