Dia do Cantador Repentista (6 de janeiro)

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Próxima Celebração "Dia do Cantador Repentista": Sábado, 6 de Janeiro de 2018, : daqui 74 dias, 14:37:03-02:00.
Tempo médio de leitura para essa data comemorativa: ± 3 minutos.

O Dia do Cantador Repentista em 6 de janeiro de cada ano, é uma comemoração no Estado brasileiro do Pernambuco, que foi estabelecida pela Lei Nº 12.066 de 25 de setembro de 2001.

Essa data comemorativa de pernambucanos tem por fim, marcar a data do aniversário do nascimento do poeta repentista brasileiro do Estado do Pernambuco, Lourival Batista Patriota [também popularmente conhecido como ""Louro" ou "Louro do Pajeú"], que veio ao mundo em 6 de janeiro de 1915 no povoado de Umburanas, hoje município de Itapetim-PE [na época pertencente a São José do Egito-PE], filho de Raimundo Joaquim Patriota e Severina Guedes Patriota, e que formou uma trindade de repentistas das mais famosas do Nordeste brasileiro, ao lado de seus irmãos, Dimas Batista Patriota e Otacílio Batista Patriota.

Sua estreia no repente provavelmente começou mais ou menos aos 15 anos de idade, quando Lourival fora ouvir uma cantoria do também repentista brasileiro do Pernambuco, Antonio Marinho [a "Águia do Sertão], de quem viria a se tornar genro, ao casar com sua filha, Helena Marinho, quando, estimulado por alguns conhecidos, cantou versos improvisados com um violeiro de nome Pedro Ferreira, isso em 1930.
Depois disso, Lourival Batista concluiu o curso ginasial em 1933 na cidade brasileira do Recife-PE, de onde saiu com a viola nas costas para fazer cantorias e nunca mais parou.

Ao contrário de seus irmãos, Dimas Batista Patriota, que, Além de repentista renomeado, era professor de língua portuguesa, historiador, geógrafo e poliglota, e Otacílio Batista Patriota, o mais novo dos Batistas, que além de cantador repentista, também escreveu e publicou vários livros, Lourival Batista sempre viveu da arte de repentista e cantador, Apresentando-se em várias partes do Brasil, pois, além da cantoria, a outra única atividade que exerceu na vida, foi a de banqueiro de jogo do bicho, mas nunca teve sucesso com essa 2ª ocupação.
Satírico e rápido no improviso, Louro" era temido pelos repentistas competidores de seu tempo, tendo sido agraciado pelo povo com o titulo de "rei dos trocadilhos". Também foi um dos grandes parceiros do repentista brasileiro da Paraíba, Pinto do Monteiro, com quem dizem ter "Louro do Pajeú" formado uma das melhores duplas de cantadores de todos os tempos.

Os Batista, como muitos grandes violeiros, tiveram variadas leituras e cuidadoso aprendizado. Não perderam as raízes sertanejas, mas fizeram versos em pé de igualdade com os versos dos poetas das grandes cidades.
. Falando sobre a sua vida, Lourival Batista assim se exprimiu:

É muito triste ser pobre.
Pra mim é uma mal perene.
Trocando o "p" pelo "n":
É muito alegre ser nobre.
Sendo pelo "c" é cobre.
Cobre figurado é ouro.
Botando o "t" fica touro.
Como a carne e vendo a pele.
O "T" sem o traço é "L".
Termino só sendo "Louro"!

Muito embora versos de seu irmão, Otacílio Batista, tenham sido musicados pelo compositor brasileiro, Zé Ramalho, dando origem à canção "Mulher Nova Bonita e Carinhosa", que inicialmente, foi gravada pela cantora brasileira, Amelinha, e, posteriormente, pelo próprio Zé Ramalho, uma canção que inclusive foi tema de um filme brasileiro sobre Lampião [o "Rei do Cangaço" no sertão], e o famoso poeta brasileiro, Manuel Bandeira, tenha feito em versos um grande elogio ao repente do Brasil, após ouvir o canto de Otacílio Batista e outros repentistas do nordeste brasileiro, durante um festival de violeiros de que fora jurado, na cidade brasileira do Rio de Janeiro-RJ, após sua morte, no dia 5 de dezembro de 1992 em São José do Egito, o também poeta brasileiro, Dedé Monteiro dedicou estes últimos versos a "Louro do Pajeú":

Imitar seu estilo e rapidez,
dando ao verso o poder de ir e vir,
muito vate tentou sem conseguir,
pelo menos do jeito que ele fez.
Eram três os irmãos, mas desses três,
no repente, só um se eletrizou…
muita gente também trocadilhou,
mas ninguém com igual facilidade.
São José escurece outra metade,
que o repente de Louro iluminou.

Não morreu o valor da região,
mas morreu sua "joia" predileta;
não morreu a lembrança do poeta,
mas morreu um herói da profissão;
não morreu a tristeza do sertão,
mas morreu quem tão bem o decantou;
não morreu a saudade que ficou,
mas morreu quem provoca essa saudade.
São José escurece outra metade,
que o repente de Louro iluminou.

Fontes consultadas:

  1. legis.alepe.pe.gov.br/…
  2. pt.wikipedia.org/…
  3. culturanordestina.blogspot.com.br/…
  4. sites.google.com/…
  5. poemia.wordpress.com/…
  6. www.onordeste.com/…
  7. poemia.wordpress.com/…
  8. aartedomeupovo.blogspot.com.br/…
  9. www.pe-az.com.br/…

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