Dia do Bioma Pampa (17 de dezembro)

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Próxima Celebração "Dia do Bioma Pampa": Domingo, 17 de Dezembro de 2017, : daqui 60 dias, 05:03:07-02:00.
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O Dia do Bioma Pampa em 17 de dezembro de cada ano, é uma comemoração no Brasil, que foi instituída por um Decreto de 12 de dezembro de 2007, e que conta também com o "Dia do Ecoturismo" e com o "Dia Estadual das Plantas Medicinais" no Estado brasileiro do Rio Grande do Sul.

Essa data comemorativa de brasileiros tem por fim, marcar a data do aniversário do nascimento do agrônomo, escritor, filósofo, paisagista e ambientalista brasileiro, José Antônio Lutzemberger, que veio ao mundo em 17 de dezembro de 1926 na cidade brasileira de Porto Alegre-RS, em cujo Estado o Bioma Pampa é predominante, e que participou ativamente na luta pela conservação e preservação ambiental no Brasil, tendo sido nomeado secretário-especial do Meio Ambiente da Presidência da República brasileira no Governo de Fernando Collor de Mello, onde permaneceu por breve tempo, mas o suficiente para que ele pudesse fazer a diferença.

Filho de imigrantes alemães, José Lutzemberger formou-se como agrônomo especializado em adubos, e por muitos anos trabalhou para companhias do setor, a maior parte do tempo para a Basf, viajando a serviço para vários países como um técnico e executivo da empresa. No fim dos anos 1960 começou a se desiludir com as políticas agrícolas danosas para o meio ambiente, e em 1970, deixou seu emprego para dedicar-se à causa da ecologia.

Em 1971, juntamente com um grupo de simpatizantes da cidade brasileira de Porto Alegre-RS, fundou a AGAPAN [Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural], uma das primeiras associações ecológicas do Brasil, e à sua testa, depois de inúmeras campanhas ecológicas, José Lutzemberger ganharia projeção local, nacional e internacional, conseguindo importantes conquistas, numa época em que o ambientalismo ainda era coisa desconhecida do grande público.
De fato, conseguiu chamar grande atenção para o tema da proteção ambiental, com sua personalidade enérgica e combativa e com seu sólido preparo intelectual e científico sobre o assunto. Sua liderança do movimento no Brasil se consolidou em 1976, quando ele lançou o livro "Manifesto Ecológico Brasileiro: O Fim do Futuro?", sua obra mais conhecida. Publicou muitos outros textos e palestrou pelos 4 cantos do mundo, sensibilizando grandes e influentes audiências, e ao mesmo tempo despertando a fúria de outros setores da sociedade, sendo chamado, ao mesmo tempo, de "gênio pioneiro" e de "louco fanático".

Em 1987 se desligou da Agapan e criou a Fundação Gaia, dedicada à promoção de um modelo de vida sustentável, tendo presidido essa organização até sua morte. Continuava envolvido em inúmeros outros projetos locais e em outras regiões, conduzindo também uma empresa de reciclagem de resíduos industriais. Em 1990, foi convidado pelo então recém-eleito presidente do Brasil, Fernando Collor de Melo, para assumir a Secretaria-especial do Meio Ambiente. Sua atuação à frente da pasta foi breve e muito controversa, mas deixou realizadas obras importantes como a demarcação das terras ianomâmis, por exemplo. Seu estilo contundente de crítica, não poupando ninguém, muito menos o governo, não cessou de lhe trazer problemas, e, após ele haver denunciado a corrupção no IBAMA [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] do Brasil, foi demitido em 1992.

Afastado da cena política, deu continuidade ao seu trabalho independente, sendo até o fim da vida, constantemente solicitado a dar entrevistas, palestras e assessorias de várias espécies, procurando manter-se atento aos novos problemas ambientais que o progresso vem trazendo, e sugerindo soluções que o mesmo progresso pode oferecer, se conduzido com sabedoria. O valor de sua contribuição foi reconhecido mundialmente, com inúmeras distinções importantes, como por exemplo, o "Prêmio Nobel Alternativo", a "Ordem do Ponche Verde", a "Ordem de Rio Branco", a "Ordem do Mérito da República Italiana" e doutorados honoris causa, além de ser celebrado como um dos pioneiros e um dos maiores ícones do movimento ecológico brasileiro.

Lutzenberger faleceu em 14 de maio de 2002, aos 75 anos de idade, depois de sofrer várias crises de asma, seguidas de um ataque cardíaco. O governo do Rio Grande do Sul decretou luto oficial de 3 dias e sua morte foi noticiada no Brasil e no exterior, com muitos louvores ao seu gênio e sua carreira brilhante e frutífera. Foi sepultado em um bosque no Rincão Gaia, na localidade brasileira de Pantano Grande-RS, como pediu: nu, envolto em um lençol de linho e sem caixão, ou seja, sem deixar marcas no ambiente, de forma coerente com sua filosofia de vida.

Quanto ao Bioma Pampa, esta é uma das áreas de campos temperados mais importantes da Terra, pois cerca de 25% da superfície terrestre abrange regiões cuja fisionomia se caracteriza pela cobertura vegetal como predomínio dos campos, muito embora estes ecossistemas estejam entre os menos protegidos em todo o planeta. Na América do Sul, por exemplo, os campos e pampas se estendem por uma área de aproximadamente 750 mil km2, compartilhada por Brasil, Uruguai e Argentina.
No Brasil o Bioma Pampa está restrito ao estado do Rio Grande do Sul, onde, segundo o IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], ocupa uma área de 176.496 km². Isto corresponde a 63% do território estadual e a 2,07% do território brasileiro. As paisagens naturais do Pampa são variadas, de serras a planícies, de morros rupestres a coxilhas... O bioma exibe um imenso patrimônio cultural associado à biodiversidade. As paisagens naturais do Pampa se caracterizam pelo predomínio dos campos nativos, mas há também a presença de matas ciliares, matas de encosta, matas de pau-ferro, formações arbustivas, butiazais, banhados, afloramentos rochosos, etc... A estrutura da vegetação dos campos – se comparada à das florestas e das savanas – é mais simples e menos exuberante, mas não menos relevante do ponto de vista da biodiversidade e dos serviços ambientais. Ao contrário: os campos têm uma importante contribuição no sequestro de carbono e no controle da erosão, além de serem fonte de variabilidade genética para diversas espécies que estão na base de nossa cadeia alimentar.

Por ser um conjunto de ecossistemas muito antigos, o Pampa apresenta flora e fauna próprias e grande biodiversidade, ainda não completamente descrita pela ciência. Estimativas indicam valores em torno de 3000 espécies de plantas, com notável diversidade de gramíneas, que devem perfazer mais de 450 espécies: (campim-forquilha, grama-tapete, flechilhas, brabas-de-bode, cabelos de-porco, dentre outras). Nas áreas de campo natural, também se destacam as espécies de compostas e de leguminosas (150 espécies) como a babosa-do-campo, o amendoim-nativo e o trevo-nativo. Nas áreas de afloramentos rochosos, podem ser encontradas muitas espécies de cactáceas. Entre as várias espécies vegetais típicas do Pampa, vale destacar o Algarrobo (Prosopis algorobilla) e o Nhandavaí (Acacia farnesiana) arbusto, cujos remanescentes podem ser encontrados apenas no Parque Estadual do Espinilho, no município brasileiro de Barra do Quaraí-RS.

A fauna é expressiva, com quase 500 espécies de aves, dentre elas, a ema (Rhea americana), o perdigão (Rynchotus rufescens), a perdiz (Nothura maculosa), o quer-quero (Vanellus chilensis), o caminheiro-de-espora (Anthus correndera), o joão-de-barro (Furnarius rufus), o sabiá-do-campo (Mimus saturninus) e o pica-pau do campo (Colaptes campestres). Também ocorrem mais de 100 espécies de mamíferos terrestres, incluindo o veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus), o graxaim (Pseudalopex gymnocercus), o zorrilho (Conepatus chinga), o furão (Galictis cuja), o tatu-mulita (Dasypus hybridus), o preá (Cavia aperea) e várias espécies de tuco-tucos (Ctenomys sp). O Pampa abriga um ecossistema muito rico, com muitas espécies endêmicas, tais como: Tuco-tuco (Ctenomys flamarioni), o beija-flor-de-barba-azul (Heliomaster furcifer); o sapinho-de-barriga-vermelha (Melanophryniscus atroluteus) e também, conforme estimativas de 2003, algumas espécies ameaçadas de extinção, tais como: o veado campeiro (Ozotocerus bezoarticus), o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), o caboclinho-de-barriga-verde (Sporophila hypoxantha) e o picapauzinho-chorão (Picoides mixtus).
Trata-se de um patrimônio natural, genético e cultural de importância nacional e global. Também é no Pampa que fica a maior parte do aquífero Guarani. Desde a colonização ibérica, a pecuária extensiva sobre os campos nativos tem sido a principal atividade econômica da região. Além de proporcionar resultados econômicos importantes, tem permitido a conservação dos campos e ensejado o desenvolvimento de uma cultura mestiça singular, de caráter transnacional, representada pela figura do gaúcho.

A progressiva introdução e expansão das monoculturas e das pastagens com espécies exóticas, têm levado a uma rápida degradação e descaracterização das paisagens naturais do Pampa. Estimativas de perda de hábitat compiladas pelo CSR/IBAMA dão conta de que em 2002, restavam 41,32% e em 2008 restavam apenas 36,03% da vegetação nativa do bioma Pampa.
A perda de biodiversidade compromete o potencial de desenvolvimento sustentável da região, seja por perda de espécies de valor forrageiro, alimentar, ornamental e medicinal, seja pelo comprometimento dos serviços ambientais proporcionados pela vegetação campestre, como por exemplo, o controle da erosão do solo e o sequestro de carbono que atenua as mudanças climáticas.

Enquanto que nas suas metas para 2020, a CDB [Convenção sobre Diversidade Biológica], da qual o Brasil é signatário, prevê a proteção de pelo menos 17% de áreas terrestres representativas da heterogeneidade de cada bioma, em relação às áreas naturais protegidas no Brasil, o Pampa é o bioma que menor tem representatividade no SNUC [Sistema Nacional de Unidades de Conservação], representando apenas 0,4% da área continental brasileira protegida por unidades de conservação.
As “Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira”, atualizadas em 2007, resultaram na identificação de 105 áreas do bioma Pampa, sendo que, destas, 41 (um total de 34.292 km2), foram consideradas de importância biológica extremamente alta. Estes números contrastam com apenas 3,3% de proteção em unidades de conservação (2,4% de uso sustentável e 0,9% de proteção integral), com grande lacuna de representação das principais fisionomias de vegetação nativa e de espécies ameaçadas de extinção da fauna e da flora.

A criação de unidades de conservação, a recuperação de áreas degradadas e a criação de mosaicos e corredores ecológicos foram identificadas como as ações prioritárias para a conservação, juntamente com a fiscalização e educação ambiental.
O fomento às atividades econômicas de uso sustentável é outro elemento essencial para assegurar a conservação do Pampa. A diversificação da produção rural a valorização da pecuária com manejo do campo nativo, juntamente com o planejamento regional, o zoneamento ecológico-econômico e o respeito aos limites ecossistêmicos são o caminho para assegurar a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento econômico e social do Bioma Pampa.

Fontes consultadas:

  1. www.planalto.gov.br/…
  2. www.al.rs.gov.br/…
  3. www.al.rs.gov.br/…
  4. www.al.rs.gov.br/…
  5. www.al.rs.gov.br/…
  6. pt.wikipedia.org/…
  7. www.mma.gov.br/…

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