Dia de Luta dos Estudantes Secundaristas (28 de março)

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Próxima Celebração "Dia de Luta dos Estudantes Secundaristas": Quarta-Feira, 28 de Março de 2018, : daqui 160 dias, 05:37:49-02:00.
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O Dia de Luta dos Estudantes Secundaristas em 28 de março de cada ano, é uma comemoração na cidade brasileira do Rio de Janeiro-RJ, que foi estatuída pela Lei Nº 955 de 27 de abril de 1987, e que foi ratificada pela Lei Nº 5.146 de 7 de janeiro de 2010, além de contar com o "Dia da Liderança Jovem" no Estado brasileiro do Pará, com o "Dia Estadual do Grêmio Livre Estudantil" no Estado brasileiro de São Paulo e com o "Dia Estadual da Juventude" no Estado brasileiro do Rio de Janeiro.

Essa data comemorativa da cidade do Rio de Janeiro tem por fim, marcar a data do aniversário da morte do estudante secundarista brasileiro, Edson Luis de Lima Souto, que nascera na cidade brasileira de Belém do Pará-PA em 24 de fevereiro de 1950 no seio de uma família pobre, tendo iniciado os estudos na Escola Estadual Augusto Meira na capital paraense, e que pereceu em 28 de março de 1968 num confronto com a polícia militar no restaurante estudantil Calabouço da capital carioca, enquanto cursando do 2º Grau no Instituto Cooperativo de Ensino, durante a organização de uma passeata relâmpago para protestar contra a alta do preço da comida nesse restaurante, que então estava programada para acontecer no final da tarde desse mesmo dia, em cujos embates ficaram ainda feridos mais 6 estudantes, incluindo o estudante brasileiro, Benedito Frazão Dutra, que também veio ao óbito mais tarde no hospital, cujo assassinato marcou o início de um ano turbulento de intensas mobilizações contra o regime militar de 1964 no Brasil, que endureceu até decretar o chamado AI-5 [Ato Institucional Nº 5].

Para conhecimento, no fatídico dia, os estudantes do Rio de Janeiro estavam organizando uma passeata-relâmpago para protestar contra a alta do preço da comida no restaurante Calabouço, que deveria acontecer no final da tarde desse dia. Por volta das 18 horas, a Polícia militar chegou ao local e dispersou os estudantes que estavam na frente do complexo. Os estudantes se abrigaram dentro do restaurante e responderam à violência policial utilizando paus e pedras. Isso fez com que os policiais recuassem e a rua ficasse deserta. Quando os policiais voltaram, tiros começaram a ser disparados do edifício da LBA [Legião Brasileira de Assistência], provocando pânico entre os estudantes, que fugiram. Os policiais acreditavam que os estudantes iriam atacar a Embaixada dos Estados Unidos da América no Brasil, e acabaram por invadir o restaurante. Durante a invasão, o comandante da tropa da PM, aspirante Aloísio Raposo, atirou e matou o secundarista Edson Luís com um tiro a queima roupa no peito. Outro estudante, Benedito Frazão Dutra, chegou a ser levado ao hospital, mas também morreu.

Temendo que os militares sumisse com o corpo, os estudantes não permitiram que ele fosse levado para o IML [Instituto Médico Legal], mas o carregaram em passeata, diretamente para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde foi velado. A necrópsia foi feita no próprio local pelos médicos brasileiros, Nilo Ramos de Assis e Ivan Nogueira Bastos, na presença do Secretário de Saúde do Estado. Seu óbito de nº 16.982 teve como declarante o estudante brasileiro, Mário Peixoto de Souza. O registro de ocorrência nº 917 da 3ª Delegacia de Polícia da cidade do Rio de Janeiro informou que, no tiroteio ocorrido no restaurante Calabouço, outras 6 pessoas ficaram feridas: Telmo Matos Henriques, Benedito Frazão Dutra (que morreu logo depois), Antônio Inácio de Paulo, Walmir Gilberto Bittencourt, Olavo de Souza Nascimento e Francisco Dias Pinto. Todos atendidos no Hospital Souza Aguiar.

O Rio de Janeiro parou no dia do enterro, que foi acompanhado por 50 mil pessoas em passeata à luz de velas. Para expressar seu protesto, os cinemas da Cinelândia amanheceram anunciando 3 filmes: "A noite dos Generais", "À queima roupa" e "Coração de Luto". Centenas de cartazes foram colados na Cinelândia com frases como "Bala mata fome?", "Os velhos no poder, os jovens no caixão" e "Mataram um estudante. E se fosse seu filho?". Edson Luis foi enterrado ao som do Hino Nacional Brasileiro, cantado pela multidão.

No período que se estendeu do velório até a Missa de Sétimo Dia, realizada na Igreja da Candelária na manhã de 4 de abril, foram mobilizados protestos em todo o país. Na cidade brasileira de São Paulo-SP, por exemplo, 4 mil estudantes fizeram uma manifestação na Faculdade de Medicina da USP [Universidade de São Paulo]. Também foram realizadas manifestações no Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade São Francisco, na Escola Politécnica da USP e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Após o término da missa, as pessoas que deixavam a igreja foram cercadas e atacadas pela cavalaria da Polícia militar com golpes de sabre. Dezenas de pessoas ficaram feridas.

Outra missa seria realizada na noite do mesmo dia. O governo militar proibiu a realização dessa missa, mas o então vigário-geral do Rio de Janeiro, Dom Castro Pinto, insistiu em realizá-la. A missa foi celebrada com cerca de 600 pessoas. Temendo que o mesmo massacre da manhã se repetisse, os padres pediram que ninguém saísse da igreja. Do lado de fora, havia 3 fileiras de soldados a cavalo com os sabres desembainhados, mais atrás estava o Corpo de Fuzileiros Navais e vários agentes do DOPS [Departamento de Ordem Política e Social]. Num ato de coragem, os clérigos saíram na frente de mãos dadas, fazendo um "corredor" da porta da igreja até a avenida Rio Branco, para que todos os que estavam na igreja pudessem sair com segurança. Apesar desse ato, a cavalaria aguardou que todos saíssem e os encurralaram nas ruas da Candelária. Novamente o saldo foi de dezenas de pessoas feridas, fazendo com que esse infeliz infortúnio da história brasileira tenha gerado muitos protestos e centenas de outros feridos pela ação repressiva da polícia, exército e companhia, durante o Regime Militar de 1964 no Brasil.

Fontes consultadas:

  1. bancodeleis.alepa.pa.gov.br/…
  2. mail.camara.rj.gov.br/…
  3. www.al.sp.gov.br/…
  4. alerjln1.alerj.rj.gov.br/…
  5. pt.wikipedia.org/…

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